Por que ?

Pergunte-se “porque”, e não “quando”. Às vezes,
sem que sequer saibamos, nos boicotamos, nos cegamos pelos objetivos e não
aproveitamos o caminho como deveríamos. A maior parte da nossa vida, estamos em
busca de algo, alguém ou nós mesmos. Ou os três, porque ninguém é obrigado a se
anular por alguém ou permitir que lhe impeçam de conquistar seus sonhos ou é
capaz de evitar o autoconhecimento. E, é claro, fracassamos tantas vezes quanto
conseguimos recomeçar. Isso é normal. É durante esse processo que amadurecemos
que talhamos nosso caráter, que abrimos nosso coração. A forma como enxergamos
o mundo é apenas reflexo de como vemos a nós mesmos. Cada um de nós cria sua
própria realidade e também seus monstros internos. Nossa empatia é limitada
nossa capacidade de compreensão do nosso redor.
É por isso que julgar alguém é como apontar o
dedo em frente ao espelho, por isso que o pouco que fazemos em prol do outro
lhe parece muito, por isso que gratidão nunca é demais e bom senso é a virtude
mais bem distribuída no mundo; todo mundo acha que tem o suficiente. É por isso
também que não existem verdades absolutas, somos co-criadores da realidade.
Verdade é uma questão de ponto de vista. É por isso que não nos cabe fazer
justiça com as próprias mãos. É por isso, sobretudo, que devemos tratar as
pessoas com gentileza. Porque vamos decepciona-las, porque o mundo nos
decepciona. Porque também decepcionamos a nós mesmos. Mas está tudo bem.
Não vai ficando mais fácil, mas desde que
estejamos em sintonia com nosso próprio coração não morreremos por cultivar
esperança, por acreditar no bem, por não perder a fé, por valorizar o simples.
Está tudo bem, porque aprender com os erros do passado não é um prêmio de
consolação, é cruzar a linha de chegada. Ainda me pego ligando os pontos de
coisas que me aconteceram há 5, 7, 10 anos! E, pior, é cumulativo. Enquanto
tento resolver essas questões surgem novas dúvidas, novos medos, novos planos.
Nunca teremos todas as respostas, a vida sempre vai dar um jeito de trazer
novas perguntas. E, então, antes que a gente perceba estamos entregues, à mercê
da piedade de deus, da ironia do destino, da contradição do universo e da
justiça dos homens.
Você precisa acreditar que é merecedor daquilo
que busca, e o que não teve foram porque não estava pronto. Você precisa ter fé
no impossível, não matar a esperança mesmo que ela te corroa por dentro. Você
também precisa reduzir as expectativas, aprender a abrir mão de coisas – e
pessoas – que te sugam energia, por pior que seja amá-las mesmo assim. Tanta
gente boa se esqueceu de que amar só faz o bem. Tanta gente boa está cansada de
tentar.
Pergunte-se “porque”, e não “quando”. Mude a
pergunta quando não puder entender a resposta. Pare de desistir se está cansado
de recomeçar.
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